6. MEDICINA E BEM-ESTAR 5.6.13

1. SEMPRE SECO
2. PLANTAS MODIFICADAS PARA FABRICAR REMDIOS

1. SEMPRE SECO
Aparelhos que usam ondas eletromagnticas e de ultrassom prometem acabar com o suor excessivo 
Cilene Pereira

Dois novos equipamentos mostraram-se timas armas para combater o suor excessivo. Chamado de hiperidrose, o problema prejudica a qualidade de vida, impedindo, muitas vezes, o indivduo de trabalhar calmamente ou de participar de atividades sociais. O primeiro aparelho  o Miradry, aprovado pela Food and Drug Administration, agncia do governo americano responsvel pela liberao de instrumentos relacionados aos cuidados com a sade. 

 O Miradry age emitindo ondas eletromagnticas sobre as glndulas sudorparas (produtoras do suor) presentes nas axilas. A energia destri as estruturas, mas sem causar danos excessivos aos tecidos ao redor. Cerca de 90% dos pacientes mostram-se satisfeitos, mesmo aps dois anos do tratamento, afirma a dermatologista Mrcia Linhares, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Nos Estados Unidos, o equipamento est em uso desde 2011. Tambm  usado no Japo. No Brasil, deve chegar em breve.

Uma de suas principais vantagens em relao aos outros mtodos disponveis  o fato de no ser invasivo e, mesmo assim, oferecer resultados duradouros. Na lista das opes esto as cirurgias e as aplicaes de toxina botulnica (interrompem a comunicao nervosa entre as glndulas e o crebro). O efeito da toxina, porm,  temporrio (cerca de dez meses), o que exige repetidas aplicaes. No caso do Miradry, as glndulas no se regeneram depois de terem sido eliminadas, explica a dermatologista Thais Pepe, integrante da Sociedade Americana de Dermatologia. Ainda no se sabe ao certo o preo do tratamento. Estima-se que cada sesso v custar de R$ 6 mil a R$ 8 mil.

 O outro equipamento  o Ulthera, um dos maiores sucessos na rea da beleza por sua eficcia contra a flacidez. Ele se baseia na emisso de ondas de ultrassom. Um estudo realizado na Universidade de Miami, sob o patrocnio do fabricante, mostrou que a energia destri as glndulas sudorparas, reduzindo em cerca de 80% a produo de suor. Seu efeito tambm  duradouro e ele pode tratar qualquer regio do corpo, afirma a dermatologista Mnica Aribi, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Novas pesquisas esto sendo feitas com um nmero maior de participantes para que sua eficcia neste caso seja referendada.


2. PLANTAS MODIFICADAS PARA FABRICAR REMDIOS
Cientistas criam vegetais capazes de produzir medicamentos. No Brasil, esto em teste gel contra a Aids e remdio para hemoflicos. No mundo, h pesquisas para a fabricao, por meio dos vegetais, de drogas contra doenas como a malria e o cncer
Monique Oliveira

BENEFCIO - Rech, da Embrapa, diz que o custo de produo de drogas por meio dos vegetais  menor

Quando o cido acetilsaliclico, a popular aspirina, foi sintetizado em 1897, seria a primeira vez na histria da indstria farmacutica que um composto no obtido diretamente de um vegetal seria comercializado. Apesar de ter sua origem na planta Spiraea ulmaria, de onde se extrai o cido saliclico, o medicamento precisou ser misturado ao acetato para se tornar prprio ao consumo humano. Desde ento, os processos de fabricao de remdios se sofisticaram tanto que a cincia hoje inverteu os papis: as plantas se transformaram em fbricas de remdio. Por meio da modificao de suas sequncias genticas, os pesquisadores so capazes de fazer com que elas produzam exatamente o composto desejado.

 Recentemente, a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria aprovou o alfataliglicerase, primeira droga produzida por meio de uma planta modificada geneticamente. Ela  indicada para tratar a doena de Gaucher, uma deficincia na metabolizao da gordura que provoca fraturas e sangramentos. No Brasil, o principal centro de criao de vegetais produtores de remdios  a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa). Uma de suas conquistas na rea surgiu a partir de um pedido do Instituto Nacional de Sade dos Estados Unidos. Ao ter problemas para a produo da cianovirina  microbicida em teste para impedir a infeco pelo HIV, vrus causador da Aids , a instituio procurou a empresa brasileira porque sabia que ela possua uma patente para modificao gentica de soja.

EFICCIA - Tanuri, da UFRJ, verificou que substncia fabricada  pela soja impede infeco pelo vrus da Aids

Os cientistas brasileiros conseguiram alterar a estrutura do DNA da planta de forma a obrig-la a fabricar a substncia. A cianovirina dela extrada foi enviada ao Laboratrio de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro para ser submetida a testes que comprovassem sua eficcia. Deu certo. Aumentamos em dez mil vezes a quantidade de partculas do vrus necessria para a infeco de uma clula humana e, mesmo assim, a cianovirina da soja impediu a contaminao, conta Amlcar Tanuri, diretor do laboratrio responsvel pela pesquisa. Agora, a substncia ser enviada aos Eua, onde passar por testes em animais. A ideia  que ela seja o princpio ativo de um gel para prevenir a infeco pelo HIV.

 H iniciativas inteiramente brasileiras tambm. Uma delas  a modificao da soja para a produo de fator IX, uma enzima necessria  coagulao do sangue e ausente em portadores de hemofilia do tipo B. O composto foi testado em amostras de plasma que no continham a enzima. Houve evidncias de coagulao, afirma a biloga Aparecida Maria Fontes, responsvel pelo experimento, realizado na Fundao Hemocentro de Ribeiro Preto, no interior de So Paulo. O prximo passo  purificar a molcula e test-la em camundongos, diz. Tambm h testes iniciais para a produo de hormnio do crescimento humano a partir do tabaco.

O uso de plantas para fabricar medicamentos tem vantagens em relao aos mtodos tradicionais. Uma delas  o fato de os vegetais apresentarem menor risco de contgio por agentes infecciosos, acidente que pode ocorrer, por exemplo, quando a droga  feita a partir de bactrias (principal estratgia para a produo da insulina). As plantas no carregam micro-organismos patognicos contra humanos, explica Elbio Rech, diretor do Laboratrio de Biologia Sinttica e Recursos Genticos da Embrapa. Por isso, a chance de ocorrncia de problemas  menor, diz Eurico Correia, diretor mdico da Pfizer, laboratrio responsvel pela distribuio do alfataliglicerase no Pas. Alm disso, estima-se que os custos de produo sejam mais baixos. Os preos de fermentadores e cultivos de clulas so altssimos, diz Rech. Com a planta, isso no acontece. Voc a modifica geneticamente e ela cresce.

Por essas razes, a tecnologia entusiasma. H uma oportunidade gigantesca tambm na produo de vacinas. Hoje, elas acabam menos acessveis por causa de seu alto custo de produo em alguns casos, disse  ISTO o pesquisador Julian Ma, da Universidade de Londres  ele faz experimentos com o potencial de milho e de tabaco para fabricar remdios. Na Alemanha, o Instituto Fraunhofer de Biologia Molecular e Ecologia Aplicada j pesquisa um imunizante contra a malria feito a partir de composto produzido por meio de tabaco transgnico.
